Atacantes são protagonistas do momento máximo do futebol

Na semana de homenagens do Jornal Nacional aos jogadores de futebol, Tino Marcos dedica a última reportagem da série aos responsáveis pela festa.

Protagonistas convictos. “Sou o melhor atacante do Brasil, sabia?”.

Atacante. Quem não gostaria de ser? “É uma posição que dá mais alegria, que é a hora do gol”.

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Não é só o cara do gol. É simplesmente o cara. “Eles gostam de ser diferentes. São os que pintam o cabelo, são os que usam brinco”.

E que usam corte moicano. Na Bahia, um monte. No Grêmio, idem. No Santos. Bom, no Santos, então. Por que será, hein?

Não é o penteado a inspiração principal. Neymar nunca foi outra coisa na vida: “Sou apaixonado por ser atacante. Minha característica principal é o drible. Também gosto de fazer gol. Muito, sou apaixonado pelo gol”.

Em Minas, nos testes do Atlético Mineiro, a pergunta e a resposta são as de sempre. “Joga de quê? Só sai atacante”.

E nos testes no Bahia? Na turminha dos candidatos mais jovens, de no máximo 10 anos de idade, são dois goleiros, três laterais-direitos, três zagueiros, tem oito jogadores de meio-campo e 17 atacantes. Todo mundo quer fazer gol.

Todos querem, poucos podem. Não é simples harmonizar pé direito e pé esquerdo. Há quem queira ser um Luís Fabiano, um Loco Abreu. Difícil é achar algum menino que não queira ser Neymar.

Brinco dos dois lados, boné no estilo, cordão e futebol também. Apenas 12 anos, atacante titular do sub-13 do Grêmio. Lincoln, orgulho e esperança da família.

Lomba do Pinheiro é um bairro da periferia de Porto Alegre. E em uma casa vive uma família que se mudou pra ela há poucos meses graças ao futebol de um menino. No endereço, mora uma enorme esperança de gols e prosperidade.

Com a ajuda de um empresário que investe em Lincoln, Dona Clodes, que é viúva, comprou a casa. Lincoln mora no alojamento do clube. Jovens promessas do futebol assumem cedo algumas responsabilidades.

“Ele é uma criança, e já se considera um funcionário, ele trabalha”, diz a tia de Lincoln, Michele.

A concorrência mora ao lado. O amigo, vizinho de cama, também atacante do Grêmio e da mesma idade: 12 anos. Os pais estão longe, em Piracicaba, no interior de São Paulo.

“Foi ruim, mas meu sonho é ser jogador de futebol, então tem que fazer tudo para conseguir”.

Vida regrada: ônibus do clube pra ir e vir a treinos e colégio. A vida que qualquer um dos passageiros queria ter. Viajaram 30 horas de São Luís no Maranhão até Rancharia, no interior de São Paulo. Meta: disputar um campeonato com mais de cem escolinhas e ser descoberto por algum clube.

“Eu estou aqui, vou vencer na vida. Eu tenho essa fé”. Aos 15 anos, atacante. O cobrador de pênaltis, o destaque do time. Mas o time foi eliminado e nem Deylor, nem ninguém, foi chamado por algum clube ou empresário.

Seis meses depois, treino do juvenil do Ceará. “Manda o Deylor vir”. E o Deylor foi: deixou São Luís e foi aprovado como atacante juvenil do Ceará.

O funil do futebol. Até Neymar duvidou do futuro. “Todo mundo falava. ‘De dez, um dá certo. De 20, sempre um, dois que dáo certo’. Então, a gente fica com um pé atrás”.

Um pé atrás. Outro na frente. Pra iludir a marcação, com base em três mandamentos do bom atacante. “Ser inteligente, ser rápido e saber fazer gol”.

Fonte Jornal Nacional - Rede Globo



Todos querem, poucos podem. Não é simples harmonizar pé direito e pé esquerdo. Há quem queira ser um Luís Fabiano, um Loco Abreu. Difícil é achar algum menino que não queira ser Neymar

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