CANARANA: Reportagem da TV Globo visita o Munícipio e fala da Seca

Estiagem avança no interior da Bahia e poços artesianos secam

A seca avança no Interior da Bahia, e até os poços artesianos estão secando. Já são mais de 250 municípios em estado de emergência.

O céu amanhece prometendo a chuva de inverno, mas as nuvens vão embora sem deixar uma gota d’água. No semiárido baiano, o gado passa fome e as perdas na lavoura chegam a 80%. Nem a irrigação com água do subsolo garante a colheita. Os poços artesianos também estão secando.

"Desse poço aqui a gente tirava 100 mil litros de água por dia. Hoje tira oito, e vai secar”, revela o agricultor Francisco Cardoso.
José Raimundo em Brejinhos de Canarana Bahia.
 
Não deu nem para salvar o plantio de fruta do conde. O produtor de cenoura Eduardo Dourado foi mais cauteloso. Reduziu a área plantada quando a vazão do poço começou a diminuir.

"Eu plantava oito hectares, agora só plantei quatro. Se eu não tivesse reduzido a área plantada, não estaria colhendo cenoura hoje, perderia tudo", conta o agricultor.

Foi o que aconteceu com Raimundo. Plantou como nos tempos de fartura, pensando que a água do subsolo nunca fosse acabar. A cenoura chegou a se formar, mas não cresceu e nem vai crescer mais, porque a terra está desse jeito, totalmente seca. “Cem por cento de prejuízo", diz.

Segundo o geólogo Gilvan Andrade, a reserva subterrânea de água é grande, mas já está se esgotando.
"Um longo período de estiagem. Se não tem a recarga, a gente está tirando, inclusive, muito acima do que está repondo. Com isso, o lençol está descendo bruscamente", explica.

A água era encontrada a 80 metros de profundidade. Agora, a máquina precisa ir a 150 metros. A região de Irecê, norte da Bahia, tem cerca de 15 mil poços; 60% deles estão sem funcionar.
 
Em Brejinhos, comunidade do município de Canarana, as 50 famílias que vivem lá não sabiam o que é falta d’água, porque todas as casas eram abastecidas por três poços artesianos. Um deles tinha a maior vazão e foi o último a secar. A única alternativa que eles têm agora é a água do caminhão pipa.

"Tem vezes que tem a comida e não a água. Para beber é regrado, regrado mesmo", lamenta a dona de casa Ivanilde Pereira.

A principal fonte de abastecimento da região, a barragem de Mirorós, está com 7% do volume normal. Na Bahia, dos 417 municípios, mais de 250 já decretaram estado de emergência.

Do Jornal Nacional




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