Semana Santa era assim

Anos atrás, até a década de 60, Semana Santa era assim: não se comia carne vermelha nos 40 dias da Quaresma e se fazia muita penitência. Na Sexta-Feira da Paixão, quem era católico, e quase todos eram, não se ligava o rádio, cantarolar alguma música muito menos, não podia assobiar, varrer a casa, lavar pratos, usar faca para cortar verduras, nem tesoura para cortar unhas ou cabelo, tampouco fazer a barba com navalha ou gilete. O que tivesse que ser feito, tinha que ser no dia anterior. Para as crianças era um sacrifício.


Comércio, indústria, bancos não funcionavam hora nenhuma.Não se comprava, nem se vendia nada na Sexta-Feira Santa.Até a Mannesmann no Barreiro, que não parava nunca, nesse dia desligava seus fornos. Respeito total.

À noite, o programa obrigatório de homens e mulheres, velhos, jovens e crianças, sem resistências, era acompanhar a Procissão do Enterro, que na Pompeia, durava umas duas horas, circulando por várias ruas do bairro. Começava às 18 horas e terminava pelas 20 horas, com a missa campal, em frente à matriz.

Parece exagero, pura invenção de gente velha, contar isso hoje, ainda mais que amanhã é 1º de abril, dia da mentira. E como a garotada fazia farra nesse dia. Adultos também. Era um tal de pregar peça nas pessoas, afirmar categoricamente que algo aconteceu, que fulano morreu, o outro ganhou na loteria, a vizinha adolescente estava grávida, para em seguida desmentir tudo. Era assim nas escolas, em casa, no trabalho.

De mentira também foi a Revolução Militar do dia 1º de abril de 1964, que muitos dizem ter sido em 31 de março, outros em 02 de abril. Reivindicada pela Sociedade Civil, verdade mesmo foi que ela se transformou em Ditadura Militar, durou 21 anos, fechou Congresso Nacional, cassou políticos, perseguiu adversários, prendeu, torturou e matou centenas de pessoas. Melancolicamente acabou em 1985, e hoje, muitos daqueles “combatentes” estão no poder, comandam o Brasil. De mentira. Do Site: guilhermecardoso.com.br

0 comentários:

Postar um comentário

Blogroll