Solla aponta contradição em depoimento de Barusco, que cala

Durante o depoimento que prestou nesta terça-feira (10) à CPI da Petrobrás, o ex-gerente Pedro Barusco preferiu calar-se quando indagado pelo deputado federal Jorge Solla (PT-BA) sobre contradições do que disse em juramento. Na audiência, Barusco disse reiteradas vezes que as propinas que recebeu da holandesa SBM, entre 1997 e 2002, foram articuladas de forma “pessoal”, entre ele e operadores da empresa, sem a existência de esquemas com participação de agentes políticos e diretores da Petrobrás.
Foto: Zéca Ribeiro / Câmara de Deputados

“É inverossímil o senhor dizer que recebeu propina (da holandesa SBM) de 97 a 2002, quando era gerente, sem ter nenhum dirigente acima hierarquicamente que pudesse viabilizar a necessidade da empresa pagar propina. A propina é um benefício que se supõe troca. O senhor, como responsável técnico, tinha que poder para que levasse a SBM tanto tempo pagando propina tão elevada sem ter a participação de dirigentes superiores? Que vantagem os senhor oferecia se era um franco atirador tão isolado assim?”, indagou Solla.

Apesar de apresentar detalhes sobre as propinas pagas nos período de 2003 a 2011, em que trabalhou subordinado ao ex-diretor Renato Duque – como gerente executivo da Diretoria de Serviços –, o delator teve outra postura quanto aos esquemas de corrupção entre 1997 e 2002, quando já recebia propina, e preferiu calar. “O aprofundamento (deste período) estou fazendo para o MPF”, limitou-se a dizer.

“Por que de um período ele diz e do outro não? Fica claro que o senhor não quer denunciar os dirigentes da Petrobrás envolvidos na corrupção e na proprina no período de 1997 a 2002”, destacou Solla. O deputado contrapôs ainda a versão de Barusco segundo a qual ele foi convidado por Renato Duque em 2003 para a Gerência Executiva da Diretoria de Serviços pela sua competência técnica. “Por que Renato Duque ao entrar (na diretoria) convidaria o senhor, se não soubesse que o senhor já participava desse esquema criminoso, o qual ele tinha interesse em mergulhar?”, indagou Solla. Nesta pergunta, Barusco também calou-se.

O deputado salientou que fortes denúncias de esquemas similares de corrupção foram publicadas pela imprensa na década de 90, mas os casos não foram investigados à época. “Ficou aqui bem estabelecido que a corrupção na Petrobrás é antiga, o depoente reiterou aqui aquilo que Paulo Francis e Ricardo Boechat já denunciaram anteriormente. Qual a diferença já que o modus operandi era o mesmo? A diferença é que antes o volume de obras era pequena. Depois que aumentou, as oportunidades de propina aumentaram”, disse.

ASSESSORIA DE IMPRENSA - DEPUTADO JORGE SOLLA (61) 98219043

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