Seminário vai apresentar resultados de estudos sobre os impactos ambientais no Platô de Irecê

Financiados pelo Banco do Nordeste e pelo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, estudos realizados por doutores e professores das Universidades do Recôncavo Bahiano, Viçosa (MG) e Santa Cruz (Ilhéus-BA), serão apresentados dia 17, em seminário organizado pela Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Irecê.

Considerada como “ilha agrícola” no sertão baiano pelo Geógrafo Aluizio Capdeville Duarte quando a visitou em 1963, a região de Irecê desde aquela época apresentava expressiva produção agrícola, contribuindo de forma relevante para a economia do Estado da Bahia e do Nordeste.

A presença de solos de boa fertilidade natural e o relevo quase plano, de fácil mecanização agrícola, permitiu que essa região, em meados dos anos 1980, se tornasse a maior produtora de grãos do Estado da Bahia e do Nordeste, especialmente de feijão, milho e mamona. Com o tempo, desenvolveram-se também cultivos irrigados, principalmente de cenoura, beterraba e cebola.

Para atingir potencial agrícola tão expressivo, segundo estudos técnicos que serão apresentados na próxima quinta-feira, 17, no auditório da Uneb-Campus XVI, “o Platô de Irecê pagou um preço ambiental muito alto, com a devastação da vegetação nativa da Caatinga, compactação dos solos, ocorrência de erosão eólica e laminar, redução do teor de matéria orgânica dos solos e rebaixamento no nível de água do aqüífero”.

Preocupados em minimizar as conseqüências desse modelo de exploração agrícola baseado no uso excessivo de implementos agrícolas, resultando em intensa exploração dos solos e dos recursos hídricos, professores e pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus-BA), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Cruz das Almas-BA), Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas-BA) e Universidade Federal de Viçosa (Viçosa-MG) vêm desenvolvendo teses de mestrado e doutorado e projetos de pesquisa com os mais diversos
enfoques: gênese, mineralogia, microbiologia, geoquímica, química, física, manejo e conservação do solo.

Um desses projetos, financiado pelo CNPq e BNB, foi desenvolvido para verificar a intensidade da redução das áreas com vegetação nativa de Caatinga na região de Irecê ao longo do tempo e as perdas de carbono orgânico ocorridas. Índices de qualidade física e química de solos utilizados pela agricultura de sequeiro e agricultura irrigada foram comparados com os de solos sob Caatinga, visando avaliar o comportamento da qualidade ambiental dos solos dessa região ao longo do tempo.

Os estudos foram desenvolvidos em uma área piloto – o Município de Lapão –, que representa bem a diversidade de solos e o tipo de exploração agrícola que ocorre no Platô de Irecê. Os resultados indicaram uma redução de mais de 60 % nas áreas de Caatinga nos últimos 30 anos.

A agricultura de sequeiro ou irrigada implantada nas áreas desmatadas causou uma drástica redução no teor de carbono orgânico dos solos. Esse aspecto é preocupante porque o carbono orgânico exerce funções importantes no solo como retenção de água, fornecimento de nutrientes e melhoria da estrutura do solo, favorecendo a drenagem das águas e a aeração do solo. Isso demonstra que o uso e manejo dos solos da região não estão considerando a fragilidade natural do ecossistema, imposta pelas condições de semiaridez, podendo provocar impactos ambientais mais sérios, com riscos, inclusive, de desertificação.

É para conhecer os resultados dos estudos e desenvolver encaminhamentos sobre o tema, que a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Irecê organiza o seminário “Impactos ambientais provocados pela mudança do uso e manejo do solo no Platô de Irecê, no dia 17, no Auditório da Uneb-Campus XVI – Irecê-BA.

Na oportunidade, os professores e pesquisadores das instituições envolvidas no projeto estarão debatendo sobre esses aspectos juntamente com a comunidade local. O evento será aberto ao público interessado e ocorrerá das 08h00 às 18h00, sem de taxa de inscrição. (CULTURA E REALIDADE)

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